Se você está começando no mundo da pintura digital, já deve ter sentido aquela frustração de terminar uma arte e pensar: “tem algo estranho aqui, mas não sei o que é”.
Relaxa, eu também já passei por isso. Na verdade, todo artista já passou por isso, uma vez que o processo de aprendizado é para todos
A boa notícia é que a maioria desses problemas vem de alguns erros comuns que todo iniciante comete — e que podem ser corrigidos com prática e atenção. Esse erros estão em não saber:
1. Como fazer o Esboço
Esse é um dos erros mais comuns que vejo nos alunos que me pedem ajuda com seus desenhos. Normalmente, temos uma ansiedade e empolgação na hora de desenhar que nos faz pular muitas etapas fundamentais do desenho e ir direto para a pintura sem um bom esboço.
Acontece que isso deixa a arte sem estrutura, e pior: sem história e legibilidade. Isso resulta em proporções estranhas ou poses pouco naturais.
Esse erro indica a presença de outro erro anterior: a falta de miniaturas (thumbnails) no desenho, etapa fundamental para exploração de ideias.
Como evitar: reserve um tempo considerável para esboçar bem e explorar diversas ideias diferentes antes de pintar o mesmo assunto. Mesmo que seja simples, uma exploração com thumbnails seguida de um esboço sólido é a base de uma pintura digital bem-feita.
2. Como usar o Brush
No início, achava que esse era o truque secreto que os artistas usavam para criar boas artes: o Brush.
Quando descobrimos os pincéis digitais, são tantas opções que dá vontade de usar todos ao mesmo tempo. O problema é que isso deixa o desenho poluído, sem identidade e faz você perder tempo pintando, pois ainda não sabe como usar a ferramenta.
Um exemplo que muito vejo é o de usar brushs complexos demais e cheios de texturas para fazer cor base. Uma seleção rápida e um balde de tinta resolvem o problema em poucos minutos.
O erro se agrava quando, somado a isso, o iniciante não sabe usar o brush grande (ou controlar a pressão da tablet), se limitando a pintar como quem faz colorização com lápis de cor e canetinhas. São horas e horas para preencher um simples espaço em branco.
Como evitar: Pegue o brush mais simples que puder, com poucos controles de pressão, traço e opacidade e domine seu uso. É possível criar uma arte com somente um pincel simples. Menos é mais.
3. Como fazer Luz e Sombra no Desenho
Ainda nessa dinâmica de ter ansiedade no desenho, muitos querem partir direto paras as cores sem pensar de onde a luz vem. O resultado? Um desenho chapado e sem volume.
Aprender luz e sombra é extremamente fundamental para dar volume e tridimensionalidade para o seu desenho, uma vez que é a própria luz que define as formas que nos dão sensação de profundidade.
Uma dica muito boa é a observação dos tons e valores, fazendo estudos utilizando apenas três ou quatro tons de cinza. Isso te leva a focar no que realmente é importante no desenho: os shapes de luz e de sombra.
Como evitar: Leia esse artigo completo sobre esse fundamento tão importante.
4. Como usar o Ctrl+Z (desfazer)
Esse aqui é um dos mais viciantes. Todo artista digital já caiu nessa armadilha: ficar desfazendo cada traço inúmeras e inúmeras vezes. Isso trava sua fluidez no desenho e atrapalha todo o aprendizado.
Isso é um erro, pois vicia a nossa mente com a ideia oculta de ‘não aceitar nada além da perfeição no traço’, mesmo que esse não seja o seu atual nível de desenho.
Antigamente, quando não havia pintura digital, fazíamos a Lineart com caneta nanquim, e com a mídia física não tem perdão: errou, errou. Era isso que fazia o traço ficar melhor.
Como evitar: permita-se errar e continue, mesmo errando. Muitas vezes, pequenas imperfeições dão vida à arte. Use o Ctrl+Z com moderação.
5. Como usar Referências
Tentar desenhar apenas “de imaginação” pode limitar bastante seu crescimento, especialmente no início.
Não caia na falsa ideia de que Referência é cópia. É com elas que seu desenho vai ganhar personalidade e originalidade
Como evitar: Leia esse artigo sobre o poder das Referências
6. Como Finalizar o Desenho
Por último, mas não menos importante, outro erro comum é parar na fase das cores base e luz simples. Sem retoques finais, a arte parece inacabada, mas você não sabe por onde prosseguir.
Aqui os dois erros se encontram: não usar referências implica numa pobreza de detalhes e informações no seu desenho final.
Essa é a hora de pegar ainda mais referências para detalhar cada um dos materiais do seu desenho. Colete fotos de como o ouro se comporta, como funciona o couro, a madeira, as folhas, o cabelo, o rosto… Agora é a hora de dedicar algumas horas para limpar o desenho das imperfeições de traço e vazamentos nos contornos, dando uma nova cara para o desenho.
Dica: adicione detalhes pequenos e finos, contraste, pequenos brilhos em Color Dodge, poeiras, efeitos de lente e ajuste as cores no final. Esse polimento faz toda a diferença.
Conclusão
A pintura digital é um processo, e errar faz parte do caminho.
O importante é reconhecer esses erros e transformá-los em aprendizado. Com o tempo, você vai perceber que cada “falha” é, na verdade, um degrau rumo à sua Liberdade Criativa.
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